{"id":945,"date":"2012-08-03T23:04:34","date_gmt":"2012-08-04T02:04:34","guid":{"rendered":"https:\/\/ciclovida.ufpr.br\/?p=945"},"modified":"2012-08-03T23:04:34","modified_gmt":"2012-08-04T02:04:34","slug":"mudanca-de-cultura-agregou-1-milhao-de-novos-ciclistas-na-capital-chilena","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ciclovida.ufpr.br\/?p=945","title":{"rendered":"Mudan\u00e7a de cultura agregou 1 milh\u00e3o de novos ciclistas na capital chilena"},"content":{"rendered":"<p><strong>Por Alexandre Costa Nascimento <a href=\"http:\/\/www.gazetadopovo.com.br\/blog\/irevirdebike\/?id=1276605&amp;tit=mudanca-de-cultura-agregou-1-milhao-de-novos-ciclistas-na-capital-chilena\">(Ir e Vir de Bike)<\/a><\/strong><\/p>\n<p>H\u00e1 cerca de seis anos, a bicicleta carregava o estigma de &#8220;s\u00edmbolo do fracasso&#8221; no Chile. Em uma sociedade extremamente apegada \u00e0s apar\u00eancias e aos valores materiais, o carro representava o &#8220;status do sucesso&#8221; enquanto as magrelas eram relagadas aos trabalhadores menos qualificados, coisa de quem &#8220;n\u00e3o deu certo na vida&#8221;.<\/p>\n<p>Hoje, a bicicleta ganha espa\u00e7o nas ruas de Santiago e no cora\u00e7\u00e3o dos chilenos. Em 6 anos, o n\u00famero de ciclistas cresceu em 1 milh\u00e3o na capital. E n\u00e3o foi o n\u00famero de &#8220;fracassados&#8221; que aumentou; foi a mentalidade da sociedade chilena que evoluiu.<\/p>\n<p>&#8220;A cultura da bicicleta tem um papel muito importante para transformar uma sociedade individualista e promover o associativismo. O que mudou foi a percep\u00e7\u00e3o social da sociedade em rela\u00e7\u00e3o a bicicleta. \u00c9 preciso mudar as ideias para mudar o mundo&#8221;, diz\u00a0<strong>Amarilis Horta Tricallotis<\/strong>, diretora do Centro de Bicicultura, organiza\u00e7\u00e3o cidad\u00e3 que promove a cultura da bicicleta na capital chilena.<\/p>\n<p>A cicloativista esteve em Curitiba nesta quarta-feira (18) para participar do\u00a0<a href=\"http:\/\/portal.rpc.com.br\/gazetadopovo\/blog\/irevirdebike\/conteudo.phtml?tl=1&amp;id=1276156&amp;tit=Debate-Construindo-uma-nova-Cultura-de-Mobilidade-Urbana-nesta-quarta-18-em-Curitiba\" target=\"_blank\">debate<\/a>\u00a0&#8220;Construindo uma nova cultura de Mobilidade Urbana&#8221;, parte da programa\u00e7\u00e3o do III Congresso de Cultura e Educa\u00e7\u00e3o para Integra\u00e7\u00e3o da Am\u00e9rica Latina (Cepial). O evento reuniu cerca de 200 pessoas no audit\u00f3rio da Reitoria da UFPR.<\/p>\n<p>Esse aumento exponencial no n\u00famero de usu\u00e1rios da bicicleta como meio de transporte tem for\u00e7ado o governo chileno a buscar alternativas para o tr\u00e2nsito da capital.<\/p>\n<p>O aumento das tarifas de transporte p\u00fablico, a redu\u00e7\u00e3o no tempo de viagem, assim como a maior consci\u00eancia ecol\u00f3gica dos cidad\u00e3os, s\u00e3o as principais causas da invas\u00e3o de ciclistas pelas ruas mais transitadas da Santiago.<\/p>\n<p>Com uma \u00e1rea de aproximadamente 15,5 mil km2 e uma popula\u00e7\u00e3o de mais de 7 milh\u00f5es de habitantes, a regi\u00e3o metropolitana de Santiago possui cerca de 550 km de pistas reservados aos ciclistas, segundo dados do governo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div>\nDanilo Herek\/Cicloativismo.com<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft\" title=\"Danilo Herek\/Cicloativismo.com \/ Amarilis: \" src=\"http:\/\/www.gazetadopovo.com.br\/midia_tmp\/370--_DSC0157.JPG\" alt=\"Danilo Herek\/Cicloativismo.com \/ Amarilis: \" width=\"370\" height=\"246\" \/><em>Amarilis: &#8220;O importante n\u00e3o \u00e9 a bicicleta, \u00e9 o ser humano. E a bicicleta representa o uso da energia humana&#8221;<\/em><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Por\u00e9m, de acordo com associa\u00e7\u00f5es de ciclistas e usu\u00e1rios, esse n\u00famero \u00e9 enganoso, j\u00e1 que muitas dessas vias n\u00e3o cumprem os padr\u00f5es de seguran\u00e7a, n\u00e3o se conectam entre si e, em muitos casos, t\u00eam enfoque unicamente recreativo.<\/p>\n<p>&#8220;Andar de bici hoje \u00e9 uma atitude militante. As ciclovias s\u00e3o interrompidas por entradas e sa\u00eddas de ve\u00edculos, \u00e1rvores e pontos de \u00f4nibus. N\u00e3o h\u00e1 tratamento espec\u00edfico nas intersec\u00e7\u00f5es, as guias n\u00e3o s\u00e3o rebaixadas, falta sinaliza\u00e7\u00e3o. Temos que disputar espa\u00e7o com motoristas e pedestres o tempo todo&#8221;, diz, referindo-se \u00e0 capital chilena (embora pare\u00e7a estar relatando fielmente a experi\u00eancia de pedalar por Curitiba).<\/p>\n<p>Para Amarillis, a principal vantagem do uso da bicicleta, entretanto, est\u00e1 na transforma\u00e7\u00e3o da rela\u00e7\u00e3o do indiv\u00edduo com o espa\u00e7o em que vive.<\/p>\n<p>&#8220;A bicicleta nos faz pensar na cidade em que vivemos e em sonhar com a cidade queremos viver. O ciclista, para se manter equilibrado, n\u00e3o pode simplesmente ligar o &#8216;piloto autom\u00e1tico&#8217; o que o for\u00e7a a se relacionar com o mundo e com as pessoas a sua volta&#8221;, considera.<\/p>\n<p>Segundo Amarillis, o crescimento no n\u00famero de usu\u00e1rios da bicicleta tem for\u00e7ado o governo chileno a apresentar solu\u00e7\u00f5es. &#8220;Os pol\u00edticos tem usado o tema da bicicleta para mediatiza\u00e7\u00e3o, o que n\u00e3o \u00e9 negativo. Somos uma for\u00e7a eleitoral&#8221;, reconhece. &#8220;Mas temos o direito de circular com energia humana. Deve haver um tipo de solu\u00e7\u00e3o segura para todas as vias. Precisamos de &#8216;cicloruas&#8217;, onde as bicicletas tenham a prefer\u00eancia absoluta&#8221;, defende.<\/p>\n<p>A UyT, uma empresa de consultoria chilena especializada em projetos de desenvolvimento urbano recentemente publicou estudo no qual contabiliza o n\u00famero de bicicletas que passam por uma das ciclovias mais transitadas, entre \u00e0s 8h e 9h. O resultado foi um fluxo de 180 ciclistas por hora, o que equivale a uma bicicleta a cada 20 segundos, 19% mais que em 2005.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div>\n<a data-flickr-embed='true' href='https:\/\/www.flickr.com\/photos\/18794661@N00' title='Bilobicles'><img src='https:\/\/live.staticflickr.com\/65535\/49454225776_e5502b929a_c.jpg' width='800' height='600' alt='Grover, Baker, &amp; Co. Sewing Machine'><\/a><script async src='https:\/\/embedr.flickr.com\/assets\/client-code.js' charset='utf-8'><\/script><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright\" title=\"http:\/\/www.flickr.com\/photos\/bilobicles \/ M\u00e3e e filho no bairro Bellas Artes, em Santiago: nos \u00faltimos anos, Santiago foi invadida por usu\u00e1rios de bicicletas\" src=\"http:\/\/www.gazetadopovo.com.br\/midia_tmp\/370--3344715441_8ac65fe987.jpg\" alt=\"http:\/\/www.flickr.com\/photos\/bilobicles \/ M\u00e3e e filho no bairro Bellas Artes, em Santiago: nos \u00faltimos anos, Santiago foi invadida por usu\u00e1rios de bicicletas\" width=\"370\" height=\"278\" \/><em>M\u00e3e e filho no bairro Bellas Artes, em Santiago: nos \u00faltimos anos, Santiago foi invadida por usu\u00e1rios de bicicletas<\/em><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&#8220;Isso significa que as ciclovias est\u00e3o chegando ao limite de sua capacidade, podendo deduzir assim, que em um ano, estar\u00e3o saturadas&#8221;, afirma Hern\u00e1n Silva, respons\u00e1vel pela empresa.<\/p>\n<p>O governo chileno se defende dizendo que a explos\u00e3o de bicicletas como meio de transporte foi repentina e, de acordo com o crescimento, h\u00e1 planos de ciclovias que a m\u00e9dio prazo facilitar\u00e1 o tr\u00e2nsito dos usu\u00e1rios.<\/p>\n<p>&#8220;Achamos que a adapta\u00e7\u00e3o da cidade respeita o aumento do uso da bicicleta. N\u00e3o iremos s\u00f3 construir ciclovias, mas precisamos de planos de seguran\u00e7a, normas e programas de educa\u00e7\u00e3o&#8221;, diz Rodrigo Henr\u00edquez, funcion\u00e1rio do Minist\u00e9rio de Transportes e Telecomunica\u00e7\u00f5es chileno.<\/p>\n<p>Para Amarillis, entretanto, a maior revolu\u00e7\u00e3o j\u00e1 aconteceu. &#8220;O importante n\u00e3o \u00e9 a bicicleta, \u00e9 o ser humano. E a bicicleta representa o uso da energia humana. Ter muita gente pedalando \u00e9 ter gente transformando ideias, para que pessoas seja testemunhas presenciais de seus pr\u00f3prios mundos&#8221;, finaliza.<\/p>\n<p><strong>Bate-papo com Amarillis<\/strong><\/p>\n<p>Nesta quinta-feira (19) a\u00a0<strong>Amarilis<\/strong>\u00a0estar\u00e1 na\u00a0<a href=\"http:\/\/bicicletariacultural.wordpress.com\/\" target=\"_blank\">Bicicletaria Cultural<\/a>, a partir das 19 horas, para uma conversa sobre o trabalho do Bicicultura no Chile.<\/p>\n<p>A Bicicletaria Cultural fica na Rua Presidente Faria, 226 (Subsolo) &#8211; Centro.\u00a0<a href=\"http:\/\/maps.google.com.br\/maps\/place?q=bicicletaria+cultural&amp;hl=pt-BR&amp;cid=4852008684426851646\" target=\"_blank\">(Clique aqui para ver o mapa)<\/a><\/p>\n<p>Informa\u00e7\u00f5es: (41) 3153 0022<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Alexandre Costa Nascimento (Ir e Vir de Bike) H\u00e1 cerca de seis anos, a bicicleta carregava o estigma de &#8220;s\u00edmbolo do fracasso&#8221; no Chile. 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