{"id":754,"date":"2012-05-31T10:22:52","date_gmt":"2012-05-31T13:22:52","guid":{"rendered":"https:\/\/ciclovida.ufpr.br\/?p=754"},"modified":"2012-05-31T10:25:39","modified_gmt":"2012-05-31T13:25:39","slug":"por-que-os-ciclistas-curitibanos-escolheram-as-canaletas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ciclovida.ufpr.br\/?p=754","title":{"rendered":"Por que os ciclistas curitibanos escolheram as canaletas?"},"content":{"rendered":"<p>Por <strong>Jos\u00e9 Carlos Assun\u00e7\u00e3o Belotto<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Como estudioso da mobilidade urbana e ciclista, que pedala diariamente pelas canaletas Curitibanas, tentarei responder esta pergunta. Algumas pessoas colocam como vil\u00f5es do tr\u00e2nsito os ciclistas que usam as canaletas, desconhecendo tecnicamente o porqu\u00ea desta op\u00e7\u00e3o. \u00a0 \u00a0 \u00a0Infelizmente, at\u00e9 hoje para a prefeitura de Curitiba, a bicicleta sempre foi considerado um ve\u00edculo de lazer, somente agora este pensamento come\u00e7a a se modificar. O conceito bicicleta\/brinquedo ainda foi usado na mais recente grande obra vi\u00e1ria da cidade: a linha verde. Os 118 km de ciclovias de Curitiba, na sua grande maioria, ligam parques com parques, circundam a \u00e1rea central, n\u00e3o ligam os bairros com a regi\u00e3o central. E ainda na maior parte seguem o conceito de cal\u00e7ada compartilhada, sendo esta invadida por pedestres, carros estacionados, ca\u00e7ambas, postes, pontos de \u00f4nibus e sem contar o sobe desce de meio-fio em cada esquina; n\u00e3o sendo confort\u00e1veis e funcionais para quem usa a bicicleta como meio de transporte. N\u00e3o \u00e9 verdade que a bicicleta precisa estar segregada para trafegar com seguran\u00e7a, em ruas com a velocidade limitada a 30 km por hora, \u00e9 plenamente vi\u00e1vel e seguro o compartilhamento. Al\u00e9m disso, se nossas autoridades municipais fizessem valer a lei, ou seja, o C\u00f3digo Brasileiro de Tr\u00e2nsito, que no seu artigo 58 diz: \u201cQuando n\u00e3o houver ciclovia ou ciclo faixa a bicicleta deve trafegar pelo bordo da pista no mesmo sentido do fluxo dos demais ve\u00edculos com prioridade sobre os carros\u201d. Ent\u00e3o, em tese, qualquer rua que n\u00e3o tenha ciclovia ou ciclo faixa a prioridade de uso do bordo da via \u00e9 do ciclista.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Este artigo da lei n\u00e3o \u00e9 divulgado, n\u00e3o existe uma \u00fanica placa sinalizando para o seu cumprimento. Alguns motoristas colocam o ciclista como um invasor da via, mas como podemos observar no artigo do c\u00f3digo de tr\u00e2nsito citado acima, a prioridade \u00e9 do ciclista. Realmente, o ciclista necessita de trabalho educativo, mas todos os componentes do tr\u00e2nsito tamb\u00e9m precisam. Por que h\u00e1 tanta gente pedalando nestas vias e por que os ciclistas Curitibanos escolheram as canaletas de \u00f4nibus como seu trajeto preferido? Segue as raz\u00f5es principais:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>01.<\/strong> Pela lei de uso do solo de Curitiba, a popula\u00e7\u00e3o se adensou ao longo das estruturais, onde \u00e9 permitido construir os pr\u00e9dios mais altos, ent\u00e3o, pr\u00f3ximo aos corredores de \u00f4nibus mora a maioria da popula\u00e7\u00e3o de Curitiba. Estes eixos estruturais s\u00e3o compostos pelas canaletas de \u00f4nibus no meio, e de cada lado existe uma via lenta em sentidos opostos, a primeira rua paralela dos dois lados destes eixos s\u00e3o vias r\u00e1pidas, uma em cada sentido, centro-bairro e bairro-centro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>02.<\/strong> Estes eixos de transporte fazem a liga\u00e7\u00e3o direta bairro-centro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>03.<\/strong> \u00a0Nas canaletas, s\u00f3 existem motoristas profissionais, e passam em m\u00e9dia um ve\u00edculo a cada um minuto e meio, enquanto que no mesmo tempo em outras vias, transitam dezenas ou at\u00e9 centenas de carros, com todo tipo de motorista.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>04.<\/strong> Nas canaletas n\u00e3o existem entradas e sa\u00eddas de garagem, n\u00e3o t\u00eam postes no meio, n\u00e3o tem carro estacionado, n\u00e3o t\u00eam ca\u00e7ambas, n\u00e3o tem sobe e desce de meio fio. Estes fatores aumentam o conforto, a fluidez e a seguran\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>05.<\/strong> Estes eixos de transporte s\u00e3o bem iluminados e mais seguros contra assaltos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>06.<\/strong> A topografia \u00e9 mais plana e o desenho menos sinuoso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>07.<\/strong> Aqueles que desejarem podem fazer a integra\u00e7\u00e3o com o transporte coletivo, apesar de n\u00e3o existirem biciclet\u00e1rios nos terminais, amarram a bike no poste e seguem a viagem de \u00f4nibus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 uma pena, mas a Linha Verde n\u00e3o tem uma excelente ciclovia, mais uma vez foi usado o conceito de cal\u00e7ada compartilhada e de lazer. Isso obriga o ciclista a in\u00fameras travessias, a ciclovia ora est\u00e1 de um lado da pista hora no canteiro central, ora est\u00e1 de outro. Alguns trechos foram feitos em zig zag, para avan\u00e7ar trinta metros o ciclista percorre cem metros, este modelo de h\u00e1 muito foi reprovado pelos ciclistas. Seria muito mais barato e eficiente fazer uma ciclo faixa paralela ao corredor de \u00f4nibus. Resultado \u00e9 de que a maior parte dos ciclistas que passam pela linha verde usa a canaleta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por \u00faltimo apresento como proposta, a sugest\u00e3o que h\u00e1 alguns anos desenvolvemos com a ajuda do ex-presidente da UCB (Uni\u00e3o dos Ciclistas do Brasil), e consultor ciclo vi\u00e1rio, o arquiteto Antonio Miranda, e que se existisse o m\u00ednimo de vontade pol\u00edtica, j\u00e1 seria realidade, transformando Curitiba em exemplo Mundial de integra\u00e7\u00e3o bicicleta x \u00f4nibus. Implantando ciclo faixas paralelas as canaletas e se adotada em todos os eixos estruturais, seriam anexados aproximadamente 70 km de ciclo faixas a atual rede, permitindo a conex\u00e3o com muitos trechos das atuais ciclovias de lazer que circundam o centro da cidade, formando realmente uma rede cicloviaria. E tudo isto a um custo baix\u00edssimo, pois j\u00e1 est\u00e1 tudo pavimentado, bastando que fosse proibido o estacionamento de carros de um dos lados da canaleta, pequenas adapta\u00e7\u00f5es nos cruzamentos e implanta\u00e7\u00e3o de sinaliza\u00e7\u00e3o. Com pouco investimento (aproximadamente 10 a 20 milh\u00f5es de reais) para uma cidade do porte de Curitiba, transformaria a mobilidade da metr\u00f3pole e com esta interven\u00e7\u00e3o urban\u00edstica se tornaria uma das cidades mais ciclaveis do mundo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Jos\u00e9 Carlos Assun\u00e7\u00e3o. Belotto<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0Membro do GTH (Grupo Transporte Humano)<\/strong><\/p>\n<p><strong>Conselheiro da UCB\u00a0 (Uni\u00e3o dos Ciclistas do Brasil)<\/strong><\/p>\n<p><strong>Associado fundador da Ciclo Igua\u00e7u<\/strong><\/p>\n<p><strong>Diretor de Ciclismo universit\u00e1rio da Federa\u00e7\u00e3o Paranaense de Ciclismo<\/strong><\/p>\n<p><strong>Coordenador do Programa de Extens\u00e3o CICLOVIDA da UFPR\u00a0<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Jos\u00e9 Carlos Assun\u00e7\u00e3o Belotto Como estudioso da mobilidade urbana e ciclista, que pedala diariamente pelas canaletas Curitibanas, tentarei responder esta pergunta. 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