{"id":2890,"date":"2014-11-17T12:58:38","date_gmt":"2014-11-17T15:58:38","guid":{"rendered":"https:\/\/ciclovida.ufpr.br\/?p=2890"},"modified":"2014-11-17T12:58:38","modified_gmt":"2014-11-17T15:58:38","slug":"a-cidade-do-ciclista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ciclovida.ufpr.br\/?p=2890","title":{"rendered":"A cidade do ciclista"},"content":{"rendered":"<p>Por <a href=\"http:\/\/planetasustentavel.abril.com.br\/noticia\/cidade\/curitiba-a-cidade-do-ciclista-812677.shtml?func=2\">Planeta Sustent\u00e1vel<\/a><\/p>\n<p><em>Curitiba tem a fama, algo exagerada, de cidade que antecipa todas as tend\u00eancias. E n\u00e3o \u00e9 que a capital paranaense foi a primeira do Pa\u00eds a ter um clube de ciclismo? A paisagem \u00e9 do ciclista e, aos poucos, os (bons) motoristas v\u00e3o se acostumando a esse novo companheiro de jornada. E se preparando para o pr\u00f3ximo: o skate<\/em><\/p>\n<div id=\"content\">\n<div id=\"cnt0\">\n<p><em>&#8220;A bicicleta \u00e9 um discurso de humaniza\u00e7\u00e3o das cidades, tornar a vida urbana novamente um deleite, um prazer, um convite ao encontro nos espa\u00e7os p\u00fablicos, \u00e0 vida das ruas&#8221;<br \/>\n(Jorge Brand, o Goura Nataraj, yogue e cicloativista)<\/em><\/p>\n<p>Os imigrantes alem\u00e3es, sempre muito greg\u00e1rios, fundaram diversos clubes e associa\u00e7\u00f5es desde a chegada das primeiras levas em Curitiba. Foi assim que, em 1895, adeptos da bicicleta fundaram na cidade o\u00a0<strong>Radfahrer Club Curityba<\/strong>, do qual se t\u00eam apenas refer\u00eancias. Sabe-se que costumavam sair em longas excurs\u00f5es por estradinhas e trilhas que levavam a localidades pr\u00f3ximas, distantes 20 ou 30 quil\u00f4metros.<\/p>\n<div>\n<p>Bicicletas Antigas\/arquivo Marcelo Eduardo Afornali<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" alt=\"\" src=\"http:\/\/planetasustentavel.abril.com.br\/imagem\/bicicletas-antigas2.jpg\" border=\"0\" \/><\/div>\n<p>Logo depois da funda\u00e7\u00e3o do clube de Curitiba, a fazendeira paulista Veridiana da Silva Prado fez construir um vel\u00f3dromo em sua ch\u00e1cara, onde \u00e9 hoje a Pra\u00e7a Roosevelt. Mas a\u00ed \u00e9 outra hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>De volta a Curitiba. Segundo pesquisa do portal G 1, feita junto a prefeituras de todas as capitais, a cidade, com seus 127 quil\u00f4metros de vias cicl\u00e1veis, perde apenas para o Rio, com 361 quil\u00f4metros. A pesquisa perguntou ciclovias e as capitais responderam, mas quem poder\u00e1 afirmar que se trata, efetivamente de ciclovias, isto \u00e9, vias de destina\u00e7\u00e3o exclusiva a bicicletas? Em Curitiba, como se sabe, n\u00e3o s\u00e3o apenas ciclovias.<\/p>\n<p>Mas o que interessa \u00e9 a nova cena nas cidades brasileiras, bem vis\u00edvel nos grandes centros. A bicicleta est\u00e1 deixando de ser aquela agrad\u00e1vel op\u00e7\u00e3o de lazer dos finais de semana para servir, de fato, como meio de transporte para jovens e adultos.<\/p>\n<p>A\u00ed o inevit\u00e1vel acontece: na guerra pelo espa\u00e7o, l\u00e1 vem o pobre ciclista arriscando o couro no mesmo veio por onde escorrem, cada vez mais devagar e cada vez mais agressivamente, \u00f4nibus, caminh\u00f5es, t\u00e1xis, motos (de boys e de motoboys) e ve\u00edculos ditos de passeio de todos os pre\u00e7os e tamanhos. A\u00ed inclu\u00eddas, \u00f3bvio, aquelas camionetes que deveriam estar trafegando em estradas de fazenda.<\/p>\n<p>Curitiba \u00e9 tida como a capital que mais concentra esse tipo de ve\u00edculo. Est\u00e3o registradas no Detran, com placa da cidade, 161.996 caminhonetes e camionetas (s\u00e3o sin\u00f4nimos, mas a terminologia \u00e9 essa).<\/p>\n<p>Voc\u00ea, que gosta de n\u00fameros, veja s\u00f3: se Curitiba tem 1,3 milh\u00e3o de ve\u00edculos cadastrados, esses tanques se apresentam na propor\u00e7\u00e3o de um para cada oito, aproximadamente.<\/p>\n<p>Mas a paisagem, aqui, \u00e9 do ciclista, e aos poucos os (bons) motoristas v\u00e3o se acostumando a esse novo companheiro de jornada. Os riscos, por\u00e9m, s\u00e3o ainda imensos.<\/p>\n<p>O Sistema Integrado de Atendimento ao Trauma em Emerg\u00eancia (Siate), um grupamento do Corpo de Bombeiros &#8211; equipado com ambul\u00e2ncia e integrado por socorristas e m\u00e9dicos especializados em trauma -, atuante em 19 cidades paranaenses no atendimento a acidentados, tem os seguintes n\u00fameros de 2013 referentes a ciclistas:<\/p>\n<p>Auto x bike &#8211; 355<br \/>\nBike x bike &#8211; 13<br \/>\nCaminh\u00e3o x bike &#8211; 20<br \/>\nMoto x bike &#8211; 57<br \/>\n\u00d4nibus x bike &#8211; 32<br \/>\nQueda da bike &#8211; 307 (fechadas, buracos, obst\u00e1culos, vacilos, etc.)<br \/>\nForam 784 acidentes com v\u00edtimas, sem contar os que se resolveram no local. N\u00e3o h\u00e1 n\u00fameros computados de mortes porque o Siate n\u00e3o acompanha a situa\u00e7\u00e3o do acidentado depois que ele \u00e9 levado ao hospital.<\/p>\n<p>O ciclista s\u00f3 perde para o pedestre, este sim, o \u00faltimo da &#8220;cadeia alimentar&#8221; do tr\u00e2nsito. Apenas nas 19 cidades paranaenses onde o Siate atua, foram nada menos que 1.414 atropelamentos com feridos e mortos em 2013.<\/p>\n<p>A pergunta \u00e9: o ciclista, que ganhou status de condutor de ve\u00edculo com o advento do C\u00f3digo de Tr\u00e2nsito Brasileiro, em setembro de 1997, \u00e9 s\u00f3 v\u00edtima (que tamb\u00e9m \u00e9, n\u00e3o resta d\u00favida) ou, aos poucos, come\u00e7a a adotar comportamento parecido com o dos motoristas que querem seu escalpo?<\/p>\n<div><img decoding=\"async\" alt=\"\" src=\"http:\/\/planetasustentavel.abril.com.br\/imagem\/credito-goura-nataraj1.jpg\" border=\"0\" \/><\/div>\n<p>H\u00e1 uma tese: n\u00e3o estaria, o nosso amigo ciclista, assumindo um lado t\u00e3o autorit\u00e1rio quanto o nosso amigo da caminhonete (nem todos, ressalve-se), que por dirigir uma lataria enorme e pagar mais IPVA acha pode tudo?<\/p>\n<p>Quem nunca viu ciclista furando o sinal, acionando a campainha para o pedestre sair da frente na ciclovia ou na cal\u00e7ada compartilhada, dando voltas sobre a faixa de pedestres quando n\u00e3o consegue avan\u00e7ar o vermelho, trafegando na contra-m\u00e3o, etc.<\/p>\n<p><strong>Jorge Brand<\/strong>, 35 anos, que adotou o nome em s\u00e2nscrito\u00a0<strong>Goura Nataraj<\/strong>\u00a0como professor de yoga e candidato a deputado federal pelo PV (teve 13 mil votos, o que n\u00e3o \u00e9 pouco, mas n\u00e3o o elegeu, claro), \u00e9 um dos fundadores da\u00a0<strong>CicloIgua\u00e7u<\/strong>, a<strong>Associa\u00e7\u00e3o de Ciclistas do Alto Igua\u00e7u<\/strong>, que une ativistas de Curitiba e v\u00e1rios munic\u00edpios vizinhos.<\/p>\n<p>\u00c9 dele uma serena an\u00e1lise em torno da pergunta acima. Ent\u00e3o, o ciclista n\u00e3o \u00e9 tamb\u00e9m um pouco vil\u00e3o nessa hist\u00f3ria toda?<\/p>\n<p>&#8220;Concordo em termos. Acho que n\u00e3o tratamos a bicicleta como meio de transporte nas \u00faltimas d\u00e9cadas, n\u00e3o demos a ela este estatuto. Oficialmente sim, na lei, no CTB, mas na pr\u00e1tica, n\u00e3o. At\u00e9 pouco tempo atr\u00e1s, o site da Pol\u00edcia Militar do Paran\u00e1 orientava o ciclista a ir na contra-m\u00e3o!! O urbanismo brasileiro destas d\u00e9cadas priorizou o carro, tornou-o uma necessidade, um desejo de todos. \u00c9 isso ou aguentar o descaso com o transporte coletivo, com a bicicleta e com o pedestre.<\/p>\n<p>&#8220;Acho que falta no\u00e7\u00e3o de conv\u00edvio no espa\u00e7o p\u00fablico. Existem idiotas em todos os modais de transporte. Que bom que a bicicleta est\u00e1 sendo reconhecida, ainda de forma um tanto t\u00edmida em muitas cidades, mas o exemplo de S\u00e3o Paulo dever\u00e1 repercutir pro resto do pa\u00eds. \u00c9 importante trabalharmos o conceito de cidades para pessoas e de &#8216;traffic calming&#8217; (acalmamento do tr\u00e2nsito!?), colocar a escala humana como refer\u00eancia. Tornar as cidades acess\u00edveis e confort\u00e1veis para os pedestres, ciclistas e pessoas com defici\u00eancia. A cidade inteira precisa ser segura e ao alcance dos p\u00e9s de todos&#8221;.<\/p>\n<div><img decoding=\"async\" alt=\"\" src=\"http:\/\/planetasustentavel.abril.com.br\/imagem\/valmir-foto-tiff-credito-goura-nataraj2.jpg\" border=\"0\" \/><\/div>\n<p>A sa\u00edda, aponta Goura, est\u00e1 na educa\u00e7\u00e3o, palavra que resume todas as a\u00e7\u00f5es com as quais sonham os ciclistas de bom senso. Caso do engenheiro Valmir Singh, 51 anos, que j\u00e1 pedalou em v\u00e1rias cidades brasileiras e at\u00e9 em Buenos Aires, na condi\u00e7\u00e3o de turista e fot\u00f3grafo. Ele critica algumas a\u00e7\u00f5es da prefeitura de Curitiba, que implantou ciclovias que mais atrapalham do que ajudam. E sustenta que h\u00e1 bons e maus ciclistas, &#8220;assim como h\u00e1 os motociclistas e os motoqueiros&#8221;.<\/p>\n<p>S\u00e9rgio Brand\u00e3o, jornalista e triatleta de 58 anos, usa sua bike s\u00f3 para treinar em estrada. Tinha uma, com cadeirinha para a filha, mas preferiu dar a bicicleta para um garoto que a usa para trabalhar. &#8220;Levaremos ainda uns 200 anos para termos uma rela\u00e7\u00e3o pac\u00edfica entre motoristas, ciclistas e pedestres&#8221;, imagina.<\/p>\n<p>Quest\u00e3o de tempo e paci\u00eancia, mais pol\u00edticas p\u00fablicas eficazes e muita boa vontade por parte dos atores deste processo.<\/p>\n<p>E que todos se preparem, pois chegou \u00e0 cena um novo personagem. Pelo menos em Curitiba, a cidade que antecipa todas as tend\u00eancias, a turma do skate j\u00e1 ganhou as ruas<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Planeta Sustent\u00e1vel Curitiba tem a fama, algo exagerada, de cidade que antecipa todas as tend\u00eancias. 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