{"id":1775,"date":"2013-10-24T15:45:38","date_gmt":"2013-10-24T18:45:38","guid":{"rendered":"https:\/\/ciclovida.ufpr.br\/?p=1775"},"modified":"2013-10-23T18:49:37","modified_gmt":"2013-10-23T21:49:37","slug":"ate-2020-mataremos-meio-milhao-de-pessoas-no-transito-no-brasil-facanha-talvez-inigualavel-no-mundo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ciclovida.ufpr.br\/?p=1775","title":{"rendered":"At\u00e9 2020, mataremos meio milh\u00e3o de pessoas no tr\u00e2nsito no Brasil. Fa\u00e7anha talvez inigual\u00e1vel no mundo."},"content":{"rendered":"<p>Por <a href=\"http:\/\/www.antp.org.br\/website\/noticias\/ponto-de-vista\/show.asp?npgCode=3B406511-ABB1-4371-8720-6BA5C704B04C\">ANTP<\/a><\/p>\n<p>Na d\u00e9cada anterior ao lan\u00e7amento da campanha da ONU \u2013 D\u00e9cada de A\u00e7\u00f5es para Seguran\u00e7a Vi\u00e1ria, as mortes no tr\u00e2nsito no Brasil saltaram de 33 mil (2002) para 44 mil (2011), segundo o DATASUS. Feitas as contas, o n\u00famero de mortes cresceu \u00e0 raz\u00e3o de 2,9% ao ano e, mantida essa tend\u00eancia, em 2020 ser\u00e3o 59 mil (veja gr\u00e1fico) caso continuemos fazendo exatamente o que fazemos hoje para reduzir acidentes no pa\u00eds. Se desejarmos, realmente, atingir a meta proposta pela ONU de 50% de redu\u00e7\u00e3o, no ano final da D\u00e9cada o n\u00famero ser\u00e1 menor do que 30 mil.<\/p>\n<p>Computando ano a ano, contaremos 470 mil mortes at\u00e9 o final de 2020. Quase meio milh\u00e3o de brasileiros perder\u00e1 a vida em acidente de tr\u00e2nsito!<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/ciclovida.ufpr.br\/wp-content\/uploads\/2013\/10\/1.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-1776\" alt=\"1\" src=\"https:\/\/ciclovida.ufpr.br\/wp-content\/uploads\/2013\/10\/1.jpg\" width=\"570\" height=\"493\" srcset=\"https:\/\/ciclovida.ufpr.br\/wp-content\/uploads\/2013\/10\/1.jpg 570w, https:\/\/ciclovida.ufpr.br\/wp-content\/uploads\/2013\/10\/1-300x259.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 570px) 100vw, 570px\" \/><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Se empreendermos a\u00e7\u00f5es efetivas e conseguirmos reduzir o n\u00famero de mortes anuais rumo \u00e0 meta em 2020, deixar\u00e3o de morrer no tr\u00e2nsito cerca de 150 mil pessoas, mas ainda assim estaremos matando mais de 300 mil. Os n\u00fameros s\u00e3o assustadores.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/ciclovida.ufpr.br\/wp-content\/uploads\/2013\/10\/2.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-full wp-image-1777\" alt=\"2\" src=\"https:\/\/ciclovida.ufpr.br\/wp-content\/uploads\/2013\/10\/2.jpg\" width=\"327\" height=\"333\" srcset=\"https:\/\/ciclovida.ufpr.br\/wp-content\/uploads\/2013\/10\/2.jpg 327w, https:\/\/ciclovida.ufpr.br\/wp-content\/uploads\/2013\/10\/2-294x300.jpg 294w\" sizes=\"auto, (max-width: 327px) 100vw, 327px\" \/><\/a>At\u00e9 o final da D\u00e9cada, isto ir\u00e1 representar um custo social (*) de\u00a0R$ 645 bilh\u00f5es\u00a0(mais de meio trilh\u00e3o de reais!). Com a\u00e7\u00f5es efetivas de seguran\u00e7a vi\u00e1ria, poderemos atingir a meta, e com isso reduzir este impacto em aproximadamente\u00a0R$200 bilh\u00f5es.<\/p>\n<p>Vale a pena? E como isso pode ser poss\u00edvel?<\/p>\n<p>Uma boa medida seria observarmos a estrat\u00e9gia de dezenas de outros pa\u00edses que est\u00e3o obtendo \u00edndices de acidentalidade cada vez menores ano ap\u00f3s ano.<\/p>\n<p>O IRTAD, um observat\u00f3rio vinculado ao International Transport Forum, que por sua vez \u00e9 uma entidade da OECD \u2013 Organiza\u00e7\u00e3o para a Coopera\u00e7\u00e3o Econ\u00f4mica e o Desenvolvimento, publicou recentemente o\u00a0<a href=\"http:\/\/www.antp.org.br\/_5dotSystem\/download\/dcmDocument\/2013\/10\/03\/ACF0F05B-077E-417C-B43D-DA7077B9AFFA.pdf\" target=\"_blank\">Relat\u00f3rio de 2012<\/a>, dispon\u00edvel no site da ANTP, apresentando sum\u00e1rios estat\u00edsticos de 34 pa\u00edses e outras 457 p\u00e1ginas, ilustrando como eles organizam suas estat\u00edsticas de acidentes, que fatores de risco consideram mais importantes e, o que \u00e9 mais interessante, qual a estrat\u00e9gia que adotam para reduzir mortes e feridos no tr\u00e2nsito.<\/p>\n<p>Nos pa\u00edses que j\u00e1 det\u00e9m, comparativamente, um baixo \u00edndice de acidentalidade, como o Reino Unido, Su\u00e9cia, Dinamarca, Su\u00ed\u00e7a, Jap\u00e3o, Alemanha e tantos outros, neles ainda se pode observar um programa nacional de redu\u00e7\u00e3o de acidentes. Ou seja, continuam agindo. Mesmo com \u00edndices comparativamente vantajosos, continuam estabelecendo programas de a\u00e7\u00e3o, definindo metas e meios de acompanhamento e avalia\u00e7\u00e3o. No gr\u00e1fico, a seguir, a situa\u00e7\u00e3o brasileira.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/ciclovida.ufpr.br\/wp-content\/uploads\/2013\/10\/3.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-1778\" alt=\"3\" src=\"https:\/\/ciclovida.ufpr.br\/wp-content\/uploads\/2013\/10\/3.jpg\" width=\"582\" height=\"451\" srcset=\"https:\/\/ciclovida.ufpr.br\/wp-content\/uploads\/2013\/10\/3.jpg 582w, https:\/\/ciclovida.ufpr.br\/wp-content\/uploads\/2013\/10\/3-300x232.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 582px) 100vw, 582px\" \/><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u00c9 verdade que temos boas experi\u00eancias em algumas cidades e at\u00e9 em algumas rodovias, tamb\u00e9m raras estat\u00edsticas locais bem feitas e alguns resultados positivos com a nova Lei Seca. O fato \u00e9 que ainda n\u00e3o sabemos muito, ou quase nada, do que acontece na totalidade do nosso extenso territ\u00f3rio. Para quem dever\u00edamos perguntar qual o quadro real de mortalidade no tr\u00e2nsito no pa\u00eds e quais os programas de a\u00e7\u00e3o existentes para se atingir a meta da ONU, ou qualquer outra meta? Qual seria a inst\u00e2ncia de governo respons\u00e1vel para responder a essa pergunta?<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A responsabilidade pelo tr\u00e2nsito no Brasil \u00e9 dos \u00f3rg\u00e3os e entidades do Sistema Nacional de Tr\u00e2nsito (SNT), que contempla os tr\u00eas n\u00edveis de governo,com atribui\u00e7\u00f5es normativas e de planejamento, opera\u00e7\u00e3o, fiscaliza\u00e7\u00e3o, engenharia, forma\u00e7\u00e3o de condutores e educa\u00e7\u00e3o de tr\u00e2nsito. Logo, caberia a todos os entes do SNT responder \u00e0 pergunta acima. Naturalmente que a cada um cabe estabelecer planos de a\u00e7\u00e3o e metas para redu\u00e7\u00e3o de acidentes, cada qual no \u00e2mbito de sua compet\u00eancia espec\u00edfica, mas isto n\u00e3o substitui a necessidade de uma coordena\u00e7\u00e3o nacional. Falta um programa nacional.<\/p>\n<p>Se,como pa\u00eds, n\u00e3o temos um plano de a\u00e7\u00e3o, se n\u00e3o definimos metas, se n\u00e3o escolhemos os focos de aten\u00e7\u00e3o, se n\u00e3o disponibilizamos recursos, como ser\u00e1 poss\u00edvel alcan\u00e7ar um resultado diferente do que vimos alcan\u00e7ando? A verdade \u00e9 que a seguran\u00e7a vi\u00e1ria foi deixada de lado, pelo menos como projeto de uma pol\u00edtica p\u00fablica nacional.<\/p>\n<p>Como se n\u00e3o bastasse os dados globais de acidente, ainda mais alarmante \u00e9 a taxa de crescimento do n\u00famero de mortes por motocicletas no Brasil. De 2002 a 2011, segundo o DATASUS, sa\u00edmos de 3.744 para 11.433, com um \u00edndice de crescimento de 7,4% a.a. Projetada a mesma tend\u00eancia para 2020, o n\u00famero poder\u00e1 chegar a 24 mil. Metade de tudo! Dever\u00edamos chegar em 11.700 pessoas, mais ou menos o que se morre hoje sobre uma moto. Como estabilizar este n\u00famero para que a meta seja atingida?<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/ciclovida.ufpr.br\/wp-content\/uploads\/2013\/10\/4.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-1779\" alt=\"4\" src=\"https:\/\/ciclovida.ufpr.br\/wp-content\/uploads\/2013\/10\/4.jpg\" width=\"586\" height=\"436\" srcset=\"https:\/\/ciclovida.ufpr.br\/wp-content\/uploads\/2013\/10\/4.jpg 586w, https:\/\/ciclovida.ufpr.br\/wp-content\/uploads\/2013\/10\/4-300x223.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 586px) 100vw, 586px\" \/><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O que essa situa\u00e7\u00e3o mostra, ou aparentemente demonstra, \u00e9 que n\u00e3o h\u00e1 interesse governamental pelo assunto, que o enorme custo social n\u00e3o tem nenhum significado, que a ocupa\u00e7\u00e3o progressiva de 50% dos leitos hospitalares por traumatizados no tr\u00e2nsito \u00e9 uma quest\u00e3o circunscrita \u00e0 administra\u00e7\u00e3o hospitalar do pa\u00eds e nada mais, e assim por diante. O pa\u00eds n\u00e3o pode permitir tamanho descaso!<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Os pa\u00edses observados pelo IRTAD centraram (e continuam centrando) suas a\u00e7\u00f5es em alguns focos espec\u00edficos, muito conhecidos de nossa comunidade t\u00e9cnica: velocidade, avan\u00e7o de sinal vermelho, ultrapassagem em estradas, \u00e1lcool, atropelamento, uso de cinto de seguran\u00e7a em ve\u00edculos e capacete em motocicleta e,ao contr\u00e1rio do Brasil, todos eles t\u00eam uma coordena\u00e7\u00e3o nacional e formas diferenciadas de participa\u00e7\u00e3o dos entes federados e at\u00e9 da sociedade civil,unidos num esfor\u00e7o nacional de redu\u00e7\u00e3o de acidentes. Come\u00e7am por definir, em muitos deles, uma &#8220;vis\u00e3o\u201d de futuro. O Canad\u00e1, por exemplo, deseja ser o &#8220;pa\u00eds mais seguro do mundo\u201d, o mesmo acontecendo com o Jap\u00e3o, tamb\u00e9m desejando ser &#8220;o pa\u00eds mais seguro do mundo\u201d. E assim vai, cada qual demonstrando um desejo de um futuro melhor do que o presente. E o Brasil?<\/p>\n<p>Uma pol\u00edtica nacional, constru\u00edda pelo Sistema Nacional de Tr\u00e2nsito, ouvida a sociedade civil, e coordenada pelo Governo Federal, deveria contemplar a\u00e7\u00f5es sobre esses ou outros pontos-chaves. E n\u00e3o precisaria partir do zero, j\u00e1 que o CONTRAN j\u00e1 publicou em 2004 a Pol\u00edtica Nacional de Tr\u00e2nsito e, mais recentemente, em 2011, o Comit\u00ea Nacional de Mobiliza\u00e7\u00e3o pela Sa\u00fade, Paz e Seguran\u00e7a no Tr\u00e2nsito tamb\u00e9m elaborou um documento resposta \u00e0 campanha da ONU. No fundo, o que nos falta \u00e9 a\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Sen\u00e3o fosse para tomar providencias, por que, ent\u00e3o, fomos signat\u00e1rios da campanha da ONU?<\/p>\n<p><i>(*) Custo social calculado pelos estudos da ANTP\/IPEA\/DENATRAN, em 2003 e 2005, que consideraram acidentes em aglomerados urbanos e em rodovias, respectivamente. Sobre os valores da \u00e9poca, aplicou-se a infla\u00e7\u00e3o no per\u00edodo.<\/i><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Luiz Carlos Mantovani N\u00e9spoli (Branco)\u00a0\u00e9 Superintendente da Associa\u00e7\u00e3o Nacional de Transportes P\u00fablicos \u2013 ANTP<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por ANTP Na d\u00e9cada anterior ao lan\u00e7amento da campanha da ONU \u2013 D\u00e9cada de A\u00e7\u00f5es para Seguran\u00e7a Vi\u00e1ria, as mortes no tr\u00e2nsito no Brasil saltaram de 33 mil (2002) para [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_uag_custom_page_level_css":"","ngg_post_thumbnail":0,"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-1775","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias"],"gutentor_comment":10,"featured_image_src":"","featured_image_src_square":false,"author_info":{"display_name":"paulabianchi","author_link":"https:\/\/ciclovida.ufpr.br\/?author=5"},"rbea_author_info":{"display_name":"paulabianchi","author_link":"https:\/\/ciclovida.ufpr.br\/?author=5"},"rbea_excerpt_info":"Por ANTP Na d\u00e9cada anterior ao lan\u00e7amento da campanha da ONU \u2013 D\u00e9cada de A\u00e7\u00f5es para Seguran\u00e7a Vi\u00e1ria, as mortes no tr\u00e2nsito no Brasil saltaram de 33 mil (2002) para [&hellip;]","category_list":"<a href=\"https:\/\/ciclovida.ufpr.br\/?cat=1\" rel=\"category\">Not\u00edcias<\/a>","comments_num":"0 comments","uagb_featured_image_src":{"full":false,"thumbnail":false,"medium":false,"medium_large":false,"large":false,"1536x1536":false,"2048x2048":false,"post-thumbnail":false,"twentytwenty-fullscreen":false},"uagb_author_info":{"display_name":"paulabianchi","author_link":"https:\/\/ciclovida.ufpr.br\/?author=5"},"uagb_comment_info":10,"uagb_excerpt":"Por ANTP Na d\u00e9cada anterior ao lan\u00e7amento da campanha da ONU \u2013 D\u00e9cada de A\u00e7\u00f5es para Seguran\u00e7a Vi\u00e1ria, as mortes no tr\u00e2nsito no Brasil saltaram de 33 mil (2002) para [&hellip;]","wps_subtitle":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ciclovida.ufpr.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1775","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ciclovida.ufpr.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ciclovida.ufpr.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ciclovida.ufpr.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ciclovida.ufpr.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=1775"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/ciclovida.ufpr.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1775\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1780,"href":"https:\/\/ciclovida.ufpr.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1775\/revisions\/1780"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ciclovida.ufpr.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=1775"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ciclovida.ufpr.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=1775"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ciclovida.ufpr.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=1775"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}